Domingo, 15 de Janeiro de 2006

Poema

Excesso


Há amores estranhos fundos sem razão
- são secretos vivem na cumplicidade
indizíveis nas palavras que aqui vão
são impróprios de viver em liberdade
levaram a ternura ao exagero
e a um excesso saboroso a nossa pele
só compreende quem sente o latejar
bem mais dentro que os olhos do olhar,
há amores que não posso aqui explicar
pois quer queiram quer não inda vivemos
na pré-História de um Futuro de cem mil anos
nas grutas de um sentir que não sabemos

há uma palavra escandalosa e proibida
quando se fecha a porta e começa a fantasia
e me sento no sofá e desligo-me da vida
e fico Senhor completo do teu corpo
e o código começou e tu me ofereces
o máximo que alguém nos pode dar
e a guerra não tem hoje nem tabus
são duas vontades grandes que ali estão
e mais que as mãos e a boca e o Futuro
e o vício de dois corpos seminus
amarro em ti a vida que me escapa
e acordas-me explicando o mundo todo
e cedo a esta raiva que me mata

e sinto em ti Mulher, Mulher de mais
e houvesse aqui, agora, já, um altar
e eu casava-me contigo poro a poro,
casava-me contigo em todos os rituais
se é que não estou exactamente assim casando
o ontem com o presente e o infinito
e a cada jogo beijo salto ou grito
pressinto o chão fugir e o mundo longe
e há um abuso consentido que não peço
e tu olhas-me plácida e tremente raiva e calma
e a tormenta desabrocha e sai de nós
pela porta escancarada do excesso


Pedro Barroso


Aqui há tempos foi-me “oferecido” este poema.
Lembro-me bem do que lê-lo me suscitou, o oposto do que me suscita hoje depois de reler inúmeras vezes um “excesso” diferente.
Entristecia-me sempre que o lia, interpretei aqueles amores como inatingíveis, impossíveis de existirem, uma quimera romântica que jamais podia deixar de o ser.
A palavra impróprio foi para mim a mais complicada de perceber, tendenciosamente castrei-a de sentido emocional e sobrou-me uns sinónimos que em nada me esclareceram…estava a esquecer-me deliberadamente de a contextualizar, estava demasiado preocupada em não…me exceder!
O que vou transcrever a seguir foi um “sentir” alternativo, um exemplo que na altura estranhei e que hoje serenamente sorrio de tão bem que o entendo:
“.. e de muitas outras situações de liberdade te poderia falar.

"Impróprio"... de tão íntimo, de tão nosso, de tão obsceno...

O que esta a crescer em nós... em mim... eu não quero vivê-lo em liberdade.
Quero-o preso a nós dois, só a nós dois. Não quero dizê-lo a mais
ninguém, não quero mostrá-lo a mais ninguém... independentemente da
generalidade do sentimento, que essa... quem me dera gritá-lo bem alto até
ouvires onde estás…
A nossa intimidade (muito para além da física) é que é imprópria para se
viver em liberdade.”


Curiosamente…passou-me o pavor de sentir em…excesso!!!



Inventado por alexiaa às 17:55
link do post | comentar | favorito
8 comentários:
De Anónimo a 19 de Janeiro de 2006 às 23:40
pavor...não. é bom saborear sem pavor e nunca é demais.imensa
(http://imensa.blogspot.com)
(mailto:filintam@gmail.com)


De Anónimo a 18 de Janeiro de 2006 às 16:51
É nos excessos que o amor vale a pena ser vivido ...Essa_Miuda
(http://www.sonhadorainata.blogs.sapo.pt)
(mailto:Essa_Miuda72@hotmail.com)


De Anónimo a 17 de Janeiro de 2006 às 21:42
Pedro Barroso... grande poeta
claro é da minha terra "Riachos" e basta
muito giroEscorpião
(http://refugiodoescorpiao.blogs.sapo.pt)
(mailto:buell.fernandonuno@sapo.pt)


De Anónimo a 17 de Janeiro de 2006 às 17:57
Que sintas sempre em excesso...quando o teu sentir assim exigir. Que mal tem em sentir em excesso? Sente, e sente muito...e sempre com alguém á altura do teu sentir. Beijooteudoceolhar
(http://oteudoceolhar.blogs.sapo.pt)
(mailto:joanstar@sapo.pt)


De Anónimo a 17 de Janeiro de 2006 às 17:11
Haverá outra maneira de sentir? Por outro lado, o que será um sentimento em excesso? Haverá também um sentir por defeito? Penso que não! O que nos sai da alma pode ser até avassalador para quem receia a verdade, a real natureza do que somos feitos, pois sai de um modo puro, sem máscaras e sem freios. Beijos.Pagan
(http://paganheart.blogs.sapo.pt)
(mailto:henriquemoreira1@hotmail.com)


De Anónimo a 17 de Janeiro de 2006 às 16:29
"inda vivemos
na pré-História de um Futuro de cem mil anos
nas grutas de um sentir que não sabemos"

gostei muito desta tirada pá... muito fx mesmo... continua a transimitir belas palavras, ora entoa um grande bem hajaInsolente
(http://oprazerdainsolencia.blogs.sapo.pt)
(mailto:aaa@aaa.aaa)


De Anónimo a 17 de Janeiro de 2006 às 13:20
Por ventura virei impropriamente perturbar este excesso poético, mas que valha a intenção de o querer tornar mais execessivo......A felicidade não é um estado permanente/Mas sim um ânimo de estar contente/Um sentir d`alma forte de ser gente/........É um rio correndo por emoçõies sempre diferentes/ Variando no leito e na torrente/ Desde a foz até à nascente/.....UMas vezes Seco, desalmado, vazio, carente/Outras aprazível, cheio, excedente/É o MUndo a dar-se a quem o sente/Vivendo na força da sua corrente/.....Sendo realidade, fantasia, razão demente/Alegria p`lo amor, depois de ausente/Regressar impróprio, concupiscente/Excelso, excessivo, excelente!
Com um beijoLourenço119
(http://...)
(mailto:csonhador@hotmail.com)


De Anónimo a 15 de Janeiro de 2006 às 21:55
sentir em excesso...houve um tempo em que eu achava que isso não existia, que o amor nunca era em demasia...mas depois percebi, da forma pior, que amar em excesso, sentir em excesso poderia trazer muito sofrimento e poderia ser um risco. E aí sofri imenso e prometi a mim mesmo que, no futuro, iria ser comedido nos sentimentos. Mas posso dizer que quebrei essa promessa, e hoje volto a amar descomedidamente. Sei que isso constituí um risco mas é um risco que me comprometo a passar. Além disso o que seria a vida sem riscos, seria muito fácil e sem graça...e sempre temos a célebre frase popular: "Quem não arrisca, não petisca"...Abençoada seja a sabedoria popular!Ricky
(http://luminescente.blogspot.com/)
(mailto:ricky_ricardof@hotmail.com)


Comentar sem frete

O minimo sobre mim

Estas são as Ultimas

Aos sonhos que vão diminu...

Even...

Revivendo uma invenção!

Quase por encomenda...:))...

Tenho pena de não ter mem...

Não me ames…ambiciona-me!

(Re)Invenções antigas

Setembro 2009

Abril 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Colocado em finais de Abril de 2006

Free Web Counter
hit Counter