Terça-feira, 24 de Janeiro de 2006

(continuação)

Via-la. A aldeia não era mais que meia dúzia de choupanas, à volta de um grande fogo tribal. Avançou, resoluto, dirigindo-se à maior das periclitantes construções. Afastou a pele que servia de porta e, por entre a penumbra vislumbrava-se uma figura deitada num catre. Chegou-se à miserável cama, sabendo que os Indígenas possivelmente nunca haveriam visto uma tez tão pálida quanto a dele anteriormente e à cautela agarrou firmemente no cabo de seu sabre. O homem, pois era do que se tratava, deu pela sua chegada e, calmamente, sentou-se e fixou o olhar em Sir Michael. Socorrendo-se dos longos meses que havia passado no coração da selva entre diferentes tribos, tentou saudar o ancião com o som gutural dos Malai que significava tanto “olá”, como “adeus”, como ainda “rio”. O olhar do velho continuava velado por algo que transcendia a ignorância. Dizem que os olhos são o espelho da alma, mas mergulhando no interior do velho índio, a sensação que Sir Michael teve foi de uma queda vertiginosa num poço sem fundo, num buraco que sorvia qualquer luz ou alegria, uma picada sem retorno a acabar num precipício. Tentou arrancar um sinal de reconhecimento durante todo o resto da manhã, mas desistiu e saiu da palhota, decidido a passar o resto da aldeia a pente fino.

As palhotas pareciam todas abandonadas. Não que estivessem em mau estado, mas estavam simplesmente vazias. Parecia que quem quer que lá tivesse vivido havia abandonado sua casa há muito tempo: o pó e as teias de aranha acumulavam-se e alguns pássaros que conseguiam evitar os aracnídeos faziam seus ninhos no vértice da palhota. Entardecia e o primeiro dia estava prestes a esgotar-se.Com uma sensação de frustração crescente a tomar conta da alegria com que tinha começado o dia, Sir Michael resolveu entrar na última palhota antes de se preparar para a noite, e quando o fez, sentiu o chão a fugir-lhe dos pés: à sua frente, num pequeno altar de madeira, estava um tronco de árvore apodrecido de onde cresciam uns cogumelos que lhe eram desconhecidos…


Inventado por alexiaa às 20:46
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3 comentários:
De Anónimo a 26 de Janeiro de 2006 às 09:50
...e...continua não pares!imensa
(http://imensa.blogspot.com)
(mailto:filintam@gmail.com)


De Anónimo a 26 de Janeiro de 2006 às 09:39
concordo com o comentario anterior...tá a ficar viciante!gostomuitissimodeti
(http://gostomuitissimodeti.blogspot.com)
(mailto:tundra@iol.pt)


De Anónimo a 25 de Janeiro de 2006 às 21:44
Fasciculo 2º!
Estou a ficar pregado ao conto... Confesso que está muito bem escrito! Venha dai o 3º vasciculo!
Maaasss... Faz-me apetecer ouvir aquela musica... o "Kanimambo"! Tenta lá aprender a mexer em HTML e satisfaz-me esse desejo de musica!
E também fiquei com uma enorme vontade de comer frutos com nomes tão comuns como "funinho", Kunami" e "malakaté"...
Que saudades do "Acontece" na RTP2 e do Carlos Pinto Coelho!
Beijo Grandepenumbra
(http://terceiro-esquerdo@blogspot.com)
(mailto:napenumbra@hotmail.com)


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