Terça-feira, 31 de Janeiro de 2006

...

Um texto que me chegou ás mãos...
Particularmente custou-me interpretá-lo, mas interpretação feita cá está ele "publicado" !
O nome do autor fica para quando o mesmo perceber que afinal até gosta de "brincar" aos blogs e se decida a criar o próprio...imaginação não me parece que lhe falte!
Aviso: Esta abertura a textos alheios por aqui coincide com a tentativa de fechar um ciclo por...ali...
Não vai durar, "falem" agora ou calem-se para sempre:)


"Lembro-me do choque da revelação: não era tão fantástico e clarividente quanto sempre tinha achado! Foi como se alguém tivesse travado a Terra a fundo e a inércia dos 1.700km por hora tivesse destruído o Mundo tal como o conhecia, como se subitamente tivéssemos deixado de rodar e todas as coisas que existem se soltassem em detritos, em ondas que pareciam querer-me afogar em sua violência.

Afinal sou uma pessoa como todas as outras. O que mais me chateia é que sou mesmo como as outras: nem melhor, nem pior, mas mesmo assim-assim…estou a cair na complacência de quem já viveu bastante mas ainda lhe falta umas quantas de crises para ultrapassar. Que fique para a história que ainda me falta, por exemplo, a crise dos quarenta…

Imersas então ficavam todas as certezas que, aparentemente só eu, tinha. Senti-me como aquele tipo do spot do capuccino em que a miúda lambe os lábios para o sujeito que, não fosse ela puxá-lo das nuvens com um guardanapo, teria tido sonhos húmidos fora de prazo. E eu que achava que disfarçava as entradas ficando de perfil…os meus avós, já partidos, o meu bom amigo H. já desaparecido, aquelas pessoas que me pareceram a meio caminho com estando a meia vida a metade da tabela, que me falavam com a razoabilidade de quem já passou pelo dobro das minhas vivências de repente fizeram sentido.

Não me resta mais que aceitar que não sou tão especial. Nem para as pessoas que são especiais para mim. Faz parte da vida, esta “despecialização”, esta passagem do anti poder para o poder instituído, de jovem para velho, de anarquista para conservador…se quiserem, de Cunhal para Cavaco…

Para acabar, lembrei-me de um programa de rádio, de quando para o ouvir ficava acordado até às 3 da manhã ou acordava domingo quase de madrugada: O Pão com Manteiga. Nesse programa, depois de um pequeno texto havia uma música relacionada. Deixo-vos uma sugestão para ouvirem depois do meu texto: afinal era a mim que a Carly se referia…

Agora vou meter-me no meu carro de alta cilindrada e vou aconselhar empregados, amigos e familiares sobre qual o caminho a seguir para resolverem seus problemas: é para isso que uns me pagam e outros me abordam.
Até sempre."


“you’re so vain”, Carly Simon, 1973


Inventado por alexiaa às 20:46
link do post | comentar | favorito
8 comentários:
De Anónimo a 2 de Fevereiro de 2006 às 10:15
Upsssss Alexiaa, e desculpa ter transformado este espaço numa cena do Gladiador, não era minha intenção! Beijo grande pra ti : )Essa_Miuda
(http://www.sonhadorainata.blogs.sapo.pt)
(mailto:Essa_Miuda72@hotmail.com)


De Anónimo a 2 de Fevereiro de 2006 às 10:11
Confesso que só sei o refrão d`Internacional, mas conheço o Avante Camarada de fio a pavio, serve?? :) (Este também é o último) As cenas dos próximos episódios ficam pra outro dia...Essa_Miuda
(http://www.sonhadorainata.blogs.sapo.pt)
(mailto:Essa_Miuda72@hotmail.com)


De Anónimo a 2 de Fevereiro de 2006 às 09:41
Não resisto a fazer um (último?) comentário. Sou uma pessoa feliz, suficientemente satisfeito com o que tenho para não ser um frustrado e suficientemente "ambicioso" para querer mais. E não falo só do ponto de vista material. Divã sim, mas não do psicanalista...Ah!, e não resisto a lançar um repto: quem ainda sabe a letra d' "A Internacional"? Não vale ir à net...agora digam que virei...;-)vl
</a>
(mailto:vcqw@cnc.pt)


De Anónimo a 2 de Fevereiro de 2006 às 09:19
Efectivamente, não era minha intenção "picar" o autor do texto! Mas pela resposta dá pra constatar que "ainda" não está completamente acomodado ao sistema ... :) (Estou a brincar, hein?) Eu, por acaso, também gostava muito dos Fraggles!! BeijoEssa_Miuda
(http://www.sonhadorainata.blogs.sapo.pt)
(mailto:Essa_Miuda72@hotmail.com)


De Anónimo a 1 de Fevereiro de 2006 às 21:26
O texto revela alguma tristeza, tristeza talvez não mas revela que o autor está desapontado com ele, esperava mais da vida e dele do que tem. Mas meu caro a vida é mesmo assim, composta por fases, tamos bem e de repente tamos mal e vice-versa...o que é preciso fazer é aproveitar a vida ao máximo!
Acredito piamente nestas frases: "Perder o entusiasmo provoca rugas na alma. "Samuel Ullman , e: "O oposto da vida não é a morte, é a indiferença." Erik Wiesel. Elas mostram o que não devemos fazer, e o que deves (autor) mudar.
além disso todos nós somos especiais, cada um de nós é único tanto fisica como psicologicamente o que torna o ser humano, em geral, especial.

Bjokas alexiaa*Ricky
(http://luminescente.blogspot.com/)
(mailto:ricky_ricardof@hotmail.com)


De Anónimo a 1 de Fevereiro de 2006 às 18:46
É uma questão de gozo. Podemos envelhecer, pois disso é que se trata, desde que o façamos com gozo. Senão, sofremos do que se chama "Sindrome de Peter Pan". Só um reparo: o Mundo mudou tanto que ser "Cunhal" não é sinónimo de progressivismo -agora, Deus nos livre, temos que contar com os breloquistas! Mas antes este texto do que a continuação da aventuras do Mantorras :)Miguel Antunes
</a>
(mailto:miguel.ribeiro.antunes@hotmail.com)


De Anónimo a 1 de Fevereiro de 2006 às 16:23
Comentário ao comentário. Não acredito que a teoria evolucionista tudo explique. Acho que os "Fraggles" também estavam bastante próximos da realidade ao isolarem diferentes espécies de muppets...no entanto, ressalva feita e opinião expressa, acredito que é através da adaptação às circunstâncias que o ser humano obtém a sua recompensa. Acho também que a idade tem um factor decisivo na forma como interagimos com o Mundo: há atitudes certas em momentos certos. Há uma pessoa que me acusa sistematicamente de já não ser quem era há 20 anos: fará mais sentido eu acusar essa pessoa de ainda ser a mesma de há 20 anos…para concluir, acho que, mesmo assim, há de facto temas fundamentais na nossa personalidade: confesso que quando chegou a altura de votar, se por um lado não votei “Cunhal”, por outro votei “Cavaco” indirectamente, recorrendo a um envergonhado voto em branco…E espero que assim compreenda um pouco melhor que não estou acomodado, mas estou em sintonia com o meu papel no tempo e espaço desta nossa vida. vf
(http://tyhr)
(mailto:bcqwh@jwbc.com)


De Anónimo a 1 de Fevereiro de 2006 às 11:42
Uhmmm, parece-me um texto de alguém que se acomodou à vida que leva, ou talvez não… Sente-se bem com a parte material da coisa mas procura uma espiritualidade qualquer, ou talvez não … No fundo senti este texto como algo triste: apesar de aprendermos muita coisa com a passagem dos anos (a idade é efectivamente um posto), perdem-se outras, que deveriam ser essenciais: a pureza, a ingenuidade, o inconformismo, a esperança, a fé, os sonhos, a capacidade de luta contra as injustiças … Espero que esta minha interpretação esteja totalmente errada e o autor deste texto não se tenha, efectivamente acomodado! Parece-me que ainda há qualquer incómodozinho latente por resolver! Ah! E aquela comparação (?) do Cunhal ao anarquismo, permita-me discordar… Há pessoas que nunca se conformam… e ainda bem que assim é  : )Essa_Miuda
(http://www.sonhadorainata.blogs.sapo.pt)
(mailto:Essa_Miuda72@hotmail.com)


Comentar sem frete