Quarta-feira, 28 de Março de 2007

...enquanto dura!

 

“Desde que se separaram a vida de Clara mudou. Sem se aperceber procurava a solidão vertiginosamente e até de forma um pouco assustadora!
Habituara-se ao silêncio e rotineiramente dirigia-se a uma praia específica para consumir aquela brisa e verter sem temor lágrimas acumuladas!
Caminhava sempre agasalhada, tanto de Inverno como de Verão já não conseguia dispensar um agasalho nos ombros porque a saudade lhe deixara entranhado um arrepio constante.
Inexplicavelmente Clara tinha desenvolvido uma espécie de vício, quase uma doença que o médico tinha intitulado de síndrome do desgosto e era quase sempre nessas suas contemplações solitárias que se sentia inundada de mágoa e sem querer despoletava as crises. Começava por vomitar convulsivamente até se sentir esgotada e quando por fim conseguia sossegar o estômago sabia que tinha exactamente 30 segundos para tomar um calmante antes que se iniciasse o choro convulsivo acompanhado de tremores descontrolados e faltas de ar desconcertantes! Nada disto a apanhava já de surpresa, estava instruída para tentar aproveitar o intervalo da sua “doença” para se medicar e controlar da melhor forma possível a segunda fase de forma a não descambar enquanto o comprimido não fazia efeito!
Nas vezes que isto acontecia Clara seguia sempre até à esplanada mais próxima para beber uma agua…e ali permanecia de olhar vazio porque o pensamento escapava-se de mãos dadas com a razão e restava-lhe a companhia do sentir. Sentia coisas diferentes, umas vezes sentia carinhos perdidos, afectos doces, sussurros vaporosos. Noutras alturas o sentir intensificava-se e a presença dele era inequívoca e resistente. Mesmo esforçando-se pelo contrario não evitava um estremecimento involuntário desperto pela sensação daqueles dedos na sua intimidade, um reflexo instintivo de prazer com a inalação do seu perfume e até um ligeiro contrair do corpo com a perspectiva dum frente a frente futuro!
Curiosamente nem sempre tinha sido assim a sua reacção ao afastamento. No primeiro ano resistiu, enfrentou com maturidade o que considerou como fatal e, corajosa respirou fundo decidida a viver sem ele. O tempo passou e a distancia não lhe trouxe a serenidade previsível, a paz ambicionada! À medida que os dias corriam algo definhava sem domínio, alguma coisa secava as suas emoções sem controlo e a sua vivacidade outrora resplandecente esbatia-se a olhos vistos.
Hoje Clara era metade do que fora…vagueava sem brilho numa existência conformada, percorria absorta pelos dias de forma ritmada e enfadada, cedia por fim a uma dor teimosa que nunca conseguiu aniquilar.”
 
 
 

Inventado por alexiaa às 02:55
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Terça-feira, 20 de Março de 2007

Apta!?

Brilham-me os olhos sempre que indiscretamente refiro e assumo a tua existência. É um cintilar humedecido, um olhar comovido, uma inconfidência segura…
Nem sempre estou para aí virada, nem todos os dias me apetecem materializar as sensações que és até porque nem sempre estou sensível ao ponto de…porra, ao ponto de sentir!
No entanto há dias como o de hoje em que não evito os ses, em que não me defendo dos talvez, em que me concilio com a duvida e reitero uma espera absurda e incompreensível para “aquela” pouco ou nada susceptível.
A realidade é que exististe…presente, cravado, prometedor… o que torna a negação mais despropositada que a espera irrealizável, o que faz de mim confusa, insensata, impregnada de descontroladas emoções…capaz de voltar a amar!

Inventado por alexiaa às 14:05
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Quarta-feira, 14 de Março de 2007

Aviso!

A autora deste blog tem o prazer de anunciar que a fase que se segue é imprópria para “pseudos” de qualquer espécie.
Apela-se à sensibilidade de almas menos complacentes para que sejam tolerantes neste fundo do poço a que cheguei…ou então que não incomodem:)
Segue-se a etapa mais baixa deste espaço: O momento “pimba”!
 
O motivo da escolha musical é uma passagem da mesma que por alguma razão me fez matutar…a propensão para desculpar, transformar erros alheios revertendo-os em culpas nossas, acreditarmos que atitudes menos dignas são condicionadas por comportamentos nossos.
 
Eu acho que…a “pimbalhice” faz parte de mim, custe o que custar:).
Esta frase é um trocadilho com o refrão…eu sei, é muito à frente:)
 
 
música: Alcione

Inventado por alexiaa às 23:46
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Quarta-feira, 7 de Março de 2007

Não guardo só para mim...

 

“A noite ia passando e ele ansiava o reencontro. Não estavam perdidos um do outro, não estavam distantes naquele espaço, não viviam separados por nada…estavam apenas misturados com outras pessoas numa festa interminável!
Existiam momentos assim…em que o convívio era agradável, o ambiente pacifico mas os segundos em que os seus olhares se cruzavam representavam para ambos uma sintonia preciosa, um segredo inviolável, uma cumplicidade invulgar. Nessas alturas contemplavam-se somente…sem pressa, sem ânsia, apenas com um sorriso que adivinhava pensamentos mútuos, com uma expressão que antecipava conversas prometidas.
Naquela noite em particular quis o destino que se cruzassem a meio do salão e que dali partissem de braço dado em direcção à capela da casa.
O vento era suave e o ar transpirava uma mistura de odores que o confundiam duma forma saborosa como se adivinhasse o silêncio dela, como se pressentisse as palavras que ela tinha para lhe dizer.
E nesta paz caminharam com leveza. Ela soltando a noticia plena de alegria, ele escutando a sua voz embevecido com a sua conquista, inebriado com aquele contacto, comovido com aquela partilha!
O regresso a casa foi o culminar duma noite perfeita. A mão dela ancorada com ternura na perna dele dava-lhe uma sensação de conforto indescritível, o silêncio mutuamente permitido uma impressão de aconchego eterno e a novidade anteriormente contada a ideia de felicidade desmedida.”
 
 
Há momentos que nunca se esquecem, sensações que jamais se perdem, confissões que nos comovem, delírios que nos prendem e nos param sem piedade…numa qualquer estação!
 

Inventado por alexiaa às 22:32
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O minimo sobre mim

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