Quarta-feira, 13 de Setembro de 2006

Escusado resistir…

A fúria da esperança trepa tão inesperadamente que por vezes até me espanto.
É desconcertante estar chorosa e em desânimo total assistindo contrariada à invasão duma crença inconveniente que sem ser convidada resolve manifestar-se e trazer-me de volta as certezas pueris da adolescência!
Tenho dias em que me apetece culpar alguém. Não há direito que uma mulher necessite profundamente de entrar em depressão e que isso não lhe seja permitido, o que me remonta a uma fase da minha vida em que me recordo de ter consumido em excesso a chamada literatura de cordel.
Sempre que desanimo com a “fatalidade” de situações irreversíveis, apodera-se de mim subitamente um sentimento de doce conformação e inspiro-me em imagens fabricadas há muito tempo que não permitem que deixe de acreditar!
Os culpados disto são os autores das “Julias” e “Caprichos” que sorrateiramente lia antes de adormecer. Se em miúda tenho lido o fantástico manual “Descubra a cabra que há em si”, hoje não estaria nesta euforia ineficaz de esperança em relação ao Amor! Sim…porque não é útil achar que somos eternas adolescentes, porque desconfio que é muito pouco saudável só adormecer com emoções inventadas e previsões mirabolantes de situações apaixonantes e românticas!
Mas agora é tarde…é tarde para apagar ilusões, é difícil amadurecer os delírios que se entranharam na mente e na pele e assim vou caminhando…fantasiando ainda acordada momentos que sei que hão-de vir, gesticulando apaixonadamente sempre que falo no amanhã…acatando contrariada esta impetuosa fé!
 
 

Inventado por alexiaa às 15:47
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Quinta-feira, 7 de Setembro de 2006

Ai…que desperdício este desfecho!

 

Devia ter-te beijado de forma mais excessiva, olhar-te nos olhos de forma ávida naqueles breves instantes que antecedem o encontro, em câmara lenta no início, com muito carinho lá para o meio, indefinidamente no fim…
 
Tinha a obrigação de te ter escutado sem comedimentos, encostar o meu ouvido na tua boca naqueles momentos que ansiavas por me confessar o tormento da saudade, com curiosidade no começo, com ternura durante, para sempre quando te silenciasses…
 
Arrependo-me de não te ter encontrado mais vezes, vislumbrar-te distintamente por antecipação, achegar-me ansiosamente ao princípio, comovida enquanto, permanentemente no abraço do embate…
 
Quem me dera ter adormecido contigo todas as noites, tocar-te e vasculhar-te em preparativos deliciosamente mornos, insaciável logo ali, exausta a seguir, num sono final que não termina na banal manha seguinte…
 
A sensação é dúbia, consumi-te sem limites e no entanto não me sinto esgotada!
 

 

 


Inventado por alexiaa às 22:31
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Domingo, 3 de Setembro de 2006

Ah pois não...

Espero que me tenhas delineado nos teus pensamentos!
 
Acordo a meio da noite preocupada e sobressaltada. Penso nas marcas que te terei deixado e não sossego durante horas tal é a angústia de imaginar o dia em que inevitavelmente me desprenderei do teu corpo e da tua alma!
 
Pergunto-me se no meio de tanta intensidade tiveste a sensatez de me cravar por inteiro nas tuas memórias!
 
Paraliso as vezes durante o dia perante a ideia de me soltar da tua vida. Conjecturo sobre a tua imprudência e não contenho os soluços de dor quando me vejo liberta num espaço que não reconheço como sendo meu!
 
Rezo com veemência para que me guardes perpetuamente nas tuas recordações!
 
Atemorizo-me constantemente quando prevejo os meus sentidos desapegados dos teus. Apreensiva questiono-me sobre o tempo que demorará a instalar-se esse desapego e quebro de aflição ao avistar tenuemente essa possibilidade.
 
Desenha-me…crava-me e guarda-me para sempre porque a realidade é que nunca mais me irás ter!
 
 

Inventado por alexiaa às 22:50
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