Segunda-feira, 3 de Julho de 2006

Esta merda só podia ser um sonho!

O toque infernal do telefone tocou. A maior parte das vezes não atendo, tenho este vício terrível de passar semanas consecutivas sem falar com ninguém. Não porque tenha motivo especial para o fazer mas porque não me apetece falar com ninguém!
Desta vez porém, alcei o rabo da cama repentinamente e “picada” por um instinto misterioso “arrastei” o mesmo rabo até ao corredor numa excitação crescente que atingiu o seu máximo quando dei de caras com o suporte onde encaixa o moderno e neste caso, desaparecido telefone!
A ausência do aparelho e o toque insistente do mesmo fez-me abrir os olhos mais depressa do que estava estipulado pelo relógio biológico das minhas pestanas e no segundo imediato estava a correr pelas assoalhadas desarrumadas da casa numa busca alucinada pela bendita maquina falante!
Tal busca não merecia um infrutífero fim e a sorte que ultimamente parecia ter resolvido fazer greve na minha vida, dava agora um ar da sua graça vaporosa e indicou-me subtilmente o caminho onde no meio dum monte de roupa amarrotada estava o almejado telefone!
Não conheci o numero…confesso que a ansiedade já era tanta na altura que nem perdi tempo a divagar sobre o assunto. Carreguei na tecla verde e disse num tom rouco misturado com um arfar inquieto um “tá lá” casualmente forçado. Silêncio foi a resposta que obtive, o que me provocou um súbito e previsível ataque de frustração. Escusado será dizer que repeti o “tá lá” com uma entoação ligeiramente mais ríspida mas nem assim recebi a imaginável resposta!
Neste segundo momento de mudez irritante aproveitei para fazer algo pouco habitual e…pensei um pouco. Quem se arriscaria conhecendo o meu génio matinal a ligar-me tão cedo? Quem seria suficientemente estúpido para ousar acordar-me as 11h da manhã e brindar-me com absolutamente nada?!
Ocupada a refrear a mente com conjecturas infindáveis percebo que do outro lado finalmente alguém quebra o silêncio, e gelo quando a voz repete um “querida” suave e terno que me faz amparar instintivamente à cadeira que ditosamente estava ali estrategicamente colocada. Nem pensei no contra-senso fantástico que eram as palavras ditosa e estratégia juntas…limitei-me a tentar desembargar a voz que parecia agora vingar-se do tempo em que sem norte disparei palavras fartas e incongruentes. O “sim” saiu sumido. Tão sumido que parecia duvidoso e por instantes vacilei. Serias mesmo Tu?
Oh…e mais alguém têm o condão com uma simples palavra de me fazer sumir a voz? (Repete doce…repete para mim quem sou!)
- Querida…!!!
 

Inventado por alexiaa às 13:08
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14 comentários:
De oteudoceolhar a 3 de Julho de 2006 às 13:23
Mas qual sonho?? opá tu não me digas que foi sonho que até me dá uma coisa má....não foi pois não? Esse querida foi mesmo a sério? E essa voz sumida também...imagino tal não foi a emoção e a vontade de entrar pelo telefone a dentro. Beijinho querida (ops ;))...n´oteudoceolhar ** Bom dia pa ti **


De Div de divertida a 3 de Julho de 2006 às 14:59
Olha-me só a dimensão desse desejo!!!!!!


De xana a 3 de Julho de 2006 às 18:46
Adorei! Mais uns aninhos e nem um "querida" pode ousar uma chamada a uma hora tão matinal! ;)


De Araj a 3 de Julho de 2006 às 20:04
O poder de uma palavra "Querida..." e tudo acalma...

(acordar às 11 da matina... )


De aurani a 3 de Julho de 2006 às 20:14
Lindo!!!!


De kiss a 3 de Julho de 2006 às 20:34
O que tá entre parênteses, quase no fim, tá um must!
Qual merda, qual sonho, qual carapuça!... Tá um perfumezinho…
Congratulations pa não tar sempre a repetir aquela palavra que começa por p...


De igara a 4 de Julho de 2006 às 12:16
Alexia, ah poizé...há palavras que depois de ouvidas disipam todos os maus feitios e todos os termos menos vernáculas que nos ocorrem. Há palavras que depois de ouvidas, justificam acordar ás 11 da manhã... (credo, acordas tarde, lol). Espero bem que não tenha sido um sonho, de toda a forma, se o foi, até foi um sonho bom...ou não? Beijos Alexia, mansinhos que é assim que faço questão que te cheguem..... :)


De Essa_Miuda a 4 de Julho de 2006 às 12:21
A palavra nem precisava ser tão "querida"... Há pessoas a quem "quase" todas as palavras são permitidas... mesmo às 11 da manhã!! Um beijinho, está lindo como sempre: "Não há dia em que não me lembre de ti...mas há dias em que me lembro tanto que só reinventando sonhos o fim é suportável..."


De Tacitus a 4 de Julho de 2006 às 15:55
Emplogante texto, onde cada palavra encaixa na perfeição, no sentido global do post. Adorei! Bom resto de semana, uma beijoca e olha, atende mais vezes o telefone ;)


De Bífido a 5 de Julho de 2006 às 00:12
e se ele te chamasse tipo... marta? :P


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