Segunda-feira, 29 de Maio de 2006

Um dia do melhor!

 

 

A minha princesa fez no sábado a 1ª comunhão e numa correria desenfreada fez também a apresentação da peça de teatro que ensaiou durante o ano lectivo!
Vamos por partes porque além de não haver muita coisa (diria mesmo nenhuma) em comum entre as duas, seria confuso descrevê-las em simultâneo: A família reuniu-se por volta das 16h numa excitação própria de quem está habituada a estas lides e rumou freneticamente para a igreja onde a acção se ia desenrolar. A primeira surpresa foi o dito local…uma igreja pequena demais para tanta gente onde um terço das pessoas estavam sentadas e as restantes ficavam em pé mal conseguindo visualizar os “anjinhos” que ali as tinham levado!
Ultrapassado o problema e instaladas os atrasados numa zona lateral, começa a cerimónia desejada! O calor era muito, mas o orgulho de ver as crianças tomarem pela primeira vez a hóstia sagrada fazia com que nos rostos estivesse espelhado um ar corajoso e o silêncio não teve de ser reclamado pelo Padre de serviço iniciando este num ambiente de paz a dita festa religiosa.
Quinze minutos passados o cenário altera-se bruscamente. O padre embrenhado num discurso intenso resolve dirigir-se aos catequizados e questioná-los sobre o motivo de ali se encontrarem. Eu quero acreditar que as respostas erradas, os risinhos despropositados e a ausência de palavras se deviam aos nervos mas a realidade é que os putos não acertaram uma direita e os paizinhos começaram a agitar-se ligeiramente tentando disfarçar o embaraço com olhares complacentes. Escusado será dizer que quando o Padre já ligeiramente irritado pergunta à minha iniciada se os Apóstolos ainda estavam vivos e ela responde que sim, o meu ar foi de pânico total e não consegui evitar um sussurrado “burra” que felizmente ela não visualizou.
Terminado sem sucesso o interrogatório que durou cerca de 20 minutitos, eis que dispara em volume estridente e sem pré-aviso a "revolta" dos irmão menores. Juro-vos, parece que combinaram todos ao mesmo tempo. Uns corriam, outros fugiam, outros choravam…aquilo parecia um motim autêntico. Os pais estavam estáticos e o Padre corado de arreliação. Neste momento dá-se a ultima entrada da tarde: acompanhados por enfermeiros entram em grande estilo alguns doentes do foro psiquiátrico (vulgarmente conhecidos por doidos) oriundos do lar ao qual a igreja pertence. Por segundos pensei que tudo estava acabado, que todo o trabalho de preparação da minha menina tinha sido em vão, que as horas de recreio que ela primorosamente abdicou tinham sido infrutíferas e o dinheiro gasto no “trapinho” apropriado revelava-se agora inútil.
Mas Deus não dorme…e após alguns instantes de caos eis que o milagre acontece e os ânimos inesperadamente sossegam. O coro agudo e penetrante distraiu a atenção geral, a solenidade prosseguiu sem maiores sobressaltos e eu tirei finalmente a ambicionada fotografia da minha Inês com ar compenetrado a tomar a sua primeira hóstia.
Estava terminada a primeira Eucaristia da minha filha e restava-nos agora correr para o colégio onde já tudo estava montado e preparado para a subida ao palco de alguns actores de palmo e meio que iam representar “ A Bela e o Monstro”.
A cortina sobe à hora marcada (pareceu-me um bom prenuncio) e precedida das famosas pancadinhas de Moliére surge a primeira actriz da tarde. Debitadas as primeiras palavras do texto faz-se silêncio…passam alguns segundos e o emudecimento prossegue…mais alguns segundos e…nada. A criancinha tinha tido uma branca e não conseguia articular uma palavra. O público ajeita-se nervosamente nas cadeiras e pela minha cabeça mais uma vez surge o pavor da frustração com que a minha pequena artista teria de viver por não ter tido oportunidade sequer de entrar em cena! Mas ela já estava abençoada e no segundo milagre da tarde a boca da petiza abre-se de novo fazendo com que na sala se ouvissem longos suspiros de alívio.
Volvidos alguns minutos entra a minha personagem principal vestida também pela segunda vez na tarde a rigor e com o mesmo ar solene que anteriormente tinha feito as minha delicias.
O papel dela era difícil. Além dum sem número de falas, ela representava o (sim, o) vilão da história que dava pelo nome de Gastão!
Amor de mãe é cego e a minha visão imparcial “voou” dali para fora em segundos. Cada pessoa que se mexia na cadeira enquanto ela falava despoletava em mim uma irritação profunda, cada “criaturinha” que se enganava na fala acordava no meu interior um desejo obscuro de puxar indiscriminadamente orelhas e até as respirações alheias atiçavam a minha impaciência levando-me várias vezes a fazer um esforço sobrenatural para não gritar um “calem-se” histérico que provavelmente causaria um espanto genérico.
No meio de tantos sentimentos contraditórios os minutos lá foram passando e após algumas peripécias próprias de miúdos de 11anos o Gastão é morto e num acto heróico da actriz que o protagoniza lança-se palco abaixo (ai, eu ia tendo um ataque) e termina a sua lista de maldades estendido no meio do chão quase aos pés duma mãe estarrecida mas vaidosa. Foi sem duvida o momento apoteótico da peça (e não venha nenhum pseudo critico dizer-me o contrario que ainda me resta alguma fúria perigosa) e estou até agora sem perceber porque raio não caiu o pano naquele exacto momento!
Apesar desta contrariedade lá me controlei e esperei pacientemente o momento em que finalmente e tardiamente a cortina fecha para entusiasticamente me pôr de pé, aplaudir e “uivar” sons de incentivo à minha pequena grande actriz!
Foi sem duvida…um dia do melhor!
 
 

Inventado por alexiaa às 21:49
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5 comentários:
De Div-de-divertida a 29 de Maio de 2006 às 23:26
Parabéns!
É sempre um orgulho!!!!
De certo que a tua princezinha fez um brilharete!


De Pharaoh a 30 de Maio de 2006 às 00:09
eheheh que bonito... = )

ou não serão eles que enaltecem e enobrecem o coração de uma mãe ou de um pai, assim dessa forma, desse pelo simples motivo de serem

pois, e as "revoltas" afinal ás vezes também são louvadas, eheheh, mas essa dos apóstolos tah demais = )) e na volta a pequenita até tem razão, e eles andam mesmo por aí :))

mas muito feliz por voçês eu fico, ao saber assim, que passaram um dia muito bom, e que mais tarde, certamente irão lembrar e recordar com o carinho e a ternura que vos une e vos unirá sempre...


beijinhos alexxia, para ti e para a repimpôlha bonita que te alegra os dias = )









De Sr. Dr. Ricky a 30 de Maio de 2006 às 21:57
Bem, antes que mais deixa-me dizer, mas que dia tão atarefado ham! Imagino a correria que não foi e o que o teu coração não bateu...esse relato dava para umas quantas cenas dum filme cómico de família!
Quanto ao primeiro evento, pouco posso eu dizer já que, e para não ser hipócrita e intitular-me "católico não-praticante, de religioso não tenho muito e o pouco em que acredito e que tenho advém da minha querida avó (que Deus a tenha no céu)
Quanto ao segundo: já me agrada muito mais! Eu, que não tive a sorte de poder representar em tão tenra idade, faço agora parte dum grupo de teatro (representamos umas coisas um pouco diferentes d' "A Bela e o Monstro" mas é teatro!) e acho que todas as pessoas deviam fazer o mesmo! Contribui imenso para a nossa constituição enquanto seres humanos correctos de boas qualidades para com os outros. De certo que boas qualidade não faltará à tua filha =)
Que dias destes se repitam com mais frequência na tua vida (não com muita porque senão ainda te dá o badagaio de tanta correria! Vai com calma!) =)

bjinhos**


PS: Eu sei, ela gosta...mas...mas...D'ZRT?!...enfim... Ainda bem que existem gostos diferentes!


De kiss a 31 de Maio de 2006 às 00:50
Enquanto li deu-me vontade de dar um tabefinho ao Sr. Prior.
Não queria cair na monotonia, mas... Parabéns


De Tá Difícil a 31 de Maio de 2006 às 09:41
Gosto particularmente deste seu lado mais divertido! Caricaturar os acontecimentos do dia a dia é coisa que me diverte de sobremaneira porque alivia o peso que a vida tem às vezes, porque rir faz bem e porque é uma forma bem mais agradável de guardar recordações.

Sendo eu católico, primeiro momento diz-me bastante por tudo o que envolve, desde a preparação, passando pelo momento de reconciliação, ao sentido da comunhão em si, que sendo um acto público, é também de grande intimidade.
O segundo momento... quem foi que escolheu a peça? :))) até parece que foi você que a escolheu...

Um beijo


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